Os primeiros habitantes conhecidos do território que viria a converter-se na Áustria foram os artífices da civilização pré-histórica de Hallstatt. Mais tarde, ao sul do Danúbio, os romanos criaram as províncias de Récia, Nórica e Panônia. Foram acampamentos romanos que deram origem às principais cidades austríacas, entre as quais a própria Viena (Vindobona). Depois das invasões dos bárbaros a paz foi restabelecida nesses territórios quando Carlos Magno, no início do século IX, protegeu seu império com a criação da chamada Marca de Leste. No final do século XI, essa marca ou fronteira, já conhecida como Áustria, passou para a casa de Babenberg, e em 1278 ficou ligada aos Habsburgos, que, graças a uma hábil política de casamentos, ampliaram consideravelmente suas possessões.
Áustria, Estíria, Caríntia, Carníola e Tirol reuniram-se a partir de 1522 sob a autoridade hereditária dos Habsburgos, que haviam adquirido (1453) o título de arquiduques da Áustria. No decorrer dos séculos XVI e XVII, a Áustria manteve-se como um baluarte da cristandade diante do império otomano. Enquanto em seu interior se continha a implantação do luteranismo, o país expandiu-se para leste. De 1687 a 1699 a coroa dos Habsburgos incorporou a Hungria e a Transilvânia.
O estado austríaco. Durante o século XVIII os Habsburgos consolidaram o estado, com um perfil cristão e absolutista. A imperatriz Maria Teresa, que reinou de 1840 a 1870, concentrou em Viena os organismos políticos e administrativos criados por seus antecessores e instituiu medidas de centralização que, embora causassem descontentamento nas diferentes províncias, seriam ainda ampliadas por seu filho José II, representante do despotismo esclarecido.
O império da Áustria e a Áustria-Hungria. As situações decorrentes da revolução francesa e do império napoleônico levaram a Áustria a participar das coalizões européias que de 1792 a 1815 se articularam contra a França. Foi uma época de sucessivas perdas territoriais. Em 1804 Francisco II dos Habsburgos proclamou-se imperador da Áustria, com o nome de Francisco I, e dois anos depois dissolveu o Sacro Império Romano-Germânico. Em 1851 convocou-se o Congresso de Viena, para proceder à divisão da Europa e sustar as manifestações de idéias liberais e nacionalistas: graças à ação do chanceler Klemens von Metternich, o estado austríaco recuperou então a maior parte de seus antigos domínios.
A política interna de Metternich, nitidamente conservadora, fez da Áustria o bastião do absolutismo europeu, embora isso não impedisse que entre 1830 e 1848 os movimentos liberais e nacionalistas ganhassem força. Com a revolução de 1848, Metternich teve de fugir, do mesmo modo que o imperador Francisco I, que alguns meses mais tarde abdicou em favor de seu sobrinho Francisco José.
A constituição liberal de 1849 foi anulada em 1851, impondo-se um regime ainda mais centralizador que o de Metternich, que reforçou a unidade do exército e a autoridade da polícia.
Por volta de 1866 à Áustria mostrava-se francamente empenhada em desempenhar papel preponderante na Confederação Germânica e, não o conseguindo, concentrou seus esforços na melhoria de suas relações com húngaros e eslavos.
Em 1867 estabeleceu-se o império austro-húngaro, oficialmente Áustria-Hungria, liderado por Francisco José. Tratava-se de um conglomerado plurinacional com fortes tensões internas e com uma política externa imperialista em relação à Europa central e balcânica. O desencadeamento da primeira guerra mundial (1914-1918) acelerou a decomposição do império dos Habsburgos.
A República da Áustria. A partir do verão de 1917 os movimentos nacionalistas tornaram a situação do império insustentável e Carlos I (sobrinho de Francisco José I, a quem sucedera em 1916) teve de renunciar à coroa em 11 de novembro de 1918. No dia seguinte proclamou-se a República da Áustria Alemã, que a partir de setembro de 1919 passou a chamar-se República da Áustria. O novo estado, reduzido a seu núcleo inicial germânico, teve de enfrentar desde os primeiros dias a desastrosa herança da guerra. Depois de quatro anos de esforço bélico e do desmembramento do estado, eram patentes o caos e o desastre econômico.
As eleições para a assembléia constituinte, em fevereiro de 1919, deram à vitória, por escassa margem, ao Partido Social Democrata. Em outubro de 1920 foi promulgada uma constituição que vigorou, com pequenas modificações, até 1938. Nas eleições desse ano ganhou o Partido Cristão Social, que manteve o predomínio, de forma quase constante, até o fim da primeira república, marcada por conflitos entre socialistas e conservadores, bem como pelas tentativas dos nacionalistas para união com a Alemanha.
Por volta de 1930 o país passou a ser sacudido por graves conflitos internos, suscitados principalmente pelos grupos nazistas.
Em 1933 o governo de Engelbert Dollfuss dissolveu o Parlamento e implantou um regime autoritário. Houve o malsucedido levante socialista (1934) e a abolição dos partidos, menos o da Frente Patriótica de Dollfuss, que, assassinado pelo nazismo, foi sucedido por Kurt von Schuschnigg. Este, embora se esforçasse pelo apoio dos aliados, acabou assinando com Hitler (1936) um acordo que favorecia a Anschluss (anexação). Em março de 1938 o chanceler austríaco anunciou um plebiscito sobre a incorporação à Alemanha. A reação de Hitler foi imediata, invadindo o país, que se converteu em província do Reich.
A segunda república. Como parte da Alemanha, ao final da segunda guerra mundial a Áustria foi ocupada pelos aliados, e só em 1955 reconquistou sua soberania. Nos anos seguintes, para recuperar-se economicamente, industrializou-se ainda mais, dando grande impulso ao setor de serviços.
Conheceu anos de orientação e governo socialista, mas a partir do início da década de 1980 caminhou principalmente de acordo com um projeto liberal. Em 1986 Kurt Waldheim foi eleito presidente, sucedido em 1992 por Thomas Klestil.
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