A densidade demográfica da Bélgica ultrapassa 300 hab./km2 e é uma das maiores do mundo. As áreas mais povoadas são as densas concentrações industriais e de serviços de Bruxelas, Antuérpia, Gand, Liège e Charleroi. Todo o país, com exceção das Ardenas, apresenta-se bastante desenvolvido, e a imensa maioria da população é urbana. De modo geral, Flandres tem maior densidade populacional (mais de 400 hab./km2) que a Valônia (cerca de 200 hab./km2).
A população belga cresceu de forma muito lenta ao longo do século XX, com a particularidade de que o crescimento da população valã foi menor que a da flamenga.
No começo do século XX as duas populações estavam equilibradas em número, mas no princípio da década de 1980 os flamengos superavam os valões numa proporção de três para dois. A corrente imigratória para a Bélgica alcançou o máximo na década de 1960, sendo formada, sobretudo por italianos, espanhóis e poloneses.
No decorrer do século XX, os índices gerais de natalidade decresceram progressivamente; em conseqüência disso, ocorreu um substancial envelhecimento da população: na década de 1980, os maiores de 65 anos ultrapassavam em número os menores de 15.
Sociedade:
O sistema produtivo belga, altamente desenvolvido, permitiu a criação de um "estado de bem-estar", onde a maioria da população goza de assistência médica, subvenções, aposentadoria, auxílio-desemprego e outros benefícios sociais, facilitados direta ou indiretamente pelo estado. A renda média do cidadão belga é uma das mais altas do mundo. O sistema educativo assegura a escolarização de toda a população infantil. Além do ensino público há um amplo setor privado, regido fundamentalmente pela Igreja Católica.
A maioria da população é católica, embora haja uma minoria protestante e a liberdade de culto seja garantida pela constituição. A influência da igreja na vida belga reflete-se também nas grandes organizações sindicais e nas cooperativas de inspiração cristã.
Cultura:
Artes plásticas:
Tanto Flandres como a Valônia mostraram desde a Idade Média uma unidade cultural no campo das artes plásticas que surpreende em vista do abismo lingüístico que separava as duas comunidades. A época de maior atividade artística foi a dos séculos XV e XVI, quando a arquitetura civil gótica conseguiu nas cidades belgas algumas de suas realizações máximas. A invenção da pintura a óleo e o detalhismo realista transformaram os pintores flamengos em mestres, que em muitas ocasiões trabalharam fora de seu país, a serviço dos grandes monarcas europeus.
A arte flamenga, que a princípio correspondia ao gosto de uma próspera burguesia citadina, se manifestou visivelmente nas construções da época, impondo uma fisionomia urbana peculiar.
Jan van Eyck, Rogier van der Weyden, Hugo van der Goes e Hieronymus Bosch foram nomes destacados na primeira etapa de esplendor da pintura flamenga, que teve seu centro de irradiação em Bruges.
O Renascimento trouxe consigo, nas artes plásticas, a implantação de formas clássicas e novidades italianas. O centro de criação deslocou-se de Bruges para Antuérpia. Entre os pintores dessa época destaca-se Pieter Brueghel o Velho.
A pintura dos chamados primitivos flamengos iria influir decisivamente na pintura da Espanha, Portugal, Alemanha, norte da Itália, norte da França e Holanda. Essa influência se estenderia até o período barroco (século XVII), com Rubens. A técnica da pintura a óleo e o realismo da pintura flamenga formariam as bases da pintura de cavalete.
No século XVIII ocorreu uma perda de criatividade artística e o gosto da época voltou-se para o modelo francês, então dominante. A partir do século XIX, a arte na Bélgica ressurge, mas dentro de um contexto menos autóctone, como participante de movimentos de arte moderna.
Na arquitetura destaca-se Victor Horta, um dos fundadores do modernismo, assim como o funcionalista Henry van de Velde. Após a primeira guerra mundial surgiu um poderoso movimento expressionista, cujo representante mais inovador foi o pintor e gravador James Ensor. Paul Delvaux e, sobretudo, René Magritte alcançaram notoriedade internacional no movimento surrealista.
Música:
Nos últimos séculos da Idade Média e no Renascimento, a polifonia teve extraordinário desenvolvimento nas cidades belgas, mas posteriormente sobreveio uma certa decadência. César Franck, que desenvolveu a maior parte de sua atividade em Paris, foi o mais conhecido compositor belga do século XIX. Hoje, a Bélgica conta com numerosos conservatórios, orquestras sinfônicas, temporadas de ópera e companhias de balé.
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