As principais características da população canadense são sua diversidade étnica (como toda nação jovem, sua população é fruto de sucessivas imigrações) e sua baixa densidade.
População autóctone. Quando chegaram os primeiros colonizadores europeus, a população do Canadá era composta por índios -- algonquinos, iroqueses (aparentados com os huronianos) e sioux, entre outros -- e esquimós. Com a colonização, o número de indígenas, estimado em 230.000, reduziu-se bastante, mas depois voltou ao mesmo patamar, que se mantém estável. Até a segunda metade do século XX as comunidades indígenas não se incorporaram às atividades econômicas do país e conservaram seus traços culturais quase inalteráveis.
A população esquimó, muito escassa, se manteve em torno de vinte mil pessoas desde a colonização no século XVI. Os esquimós sempre viveram da caça e da pesca. Sua incorporação à sociedade nacional começou na década de 1960, de maneira lenta mas contínua.
Imigrações. Assentada na costa atlântica e no vale do São Lourenço, até o século XIX a população branca, majoritariamente francesa, era reduzida. Durante o século XIX, a imigração européia, sobretudo britânica, converteu o Canadá em país multicultural. Em 1867, quando se criou a confederação das colônias, o grupo mais compacto era o francês. Os anglo-saxões, ainda que superiores em número, constituíam comunidades separadas de ingleses, irlandeses e escoceses.
Desde o final do século XIX a carência de mão-de-obra, inicialmente para colonização das pradarias e, depois da primeira guerra mundial, para atender à demanda industrial, levou o governo a favorecer a imigração, só interrompida durante as guerras mundiais e a crise de 1929. Os imigrantes eram de procedência muito diversa: durante a metade do século XX, foram na maioria escandinavos e da Europa central, mas após a segunda guerra mundial passaram a vir sobretudo do sul da Europa, principalmente Portugal, Itália e Grécia. A variada imigração explica a presença de cerca de sessenta grupos étnicos, de forma que quase uma terça parte da população não é de origem nem francesa, nem britânica.
Idiomas:
A questão lingüística foi sempre um dos grandes problemas do país, a ponto de haver fortes tendências para uma cisão, entre as décadas de 1960 e 1970. A pressão da comunidade francesa levou o Parlamento federal a reconhecer, em 1969, o francês e o inglês como línguas oficiais. Cerca de 25% da população fala o francês, majoritariamente na província de Québec, e de forma residual em Nova Brunswick, Manitoba e Ontário.
Entretanto, a proporção dos canadenses de língua francesa diminuiu, devido à adoção do inglês pela maior parte dos imigrantes. O traço bilíngüe, portanto, desequilibra-se cada vez mais em favor do inglês: no fim do século XX, por exemplo, para cem jornais editados em língua inglesa havia somente dez em francês. Os grupos indígenas continuam a utilizar seus idiomas nativos.
Demografia:
O rápido crescimento da população canadense desde o século XIX se deve não só à imigração, mas também às altas taxas de natalidade. Apesar desse intenso crescimento (de sete milhões de habitantes em 1911 a mais de trinta milhões no início da década de 1990), o país continua pouco povoado: sua densidade demográfica, em meados da década de 1990, era de três habitantes por quilômetro quadrado.
A população também se distribui de forma muito irregular. Cerca de noventa por cento dos canadenses se concentram em 12% da superfície do país, sobretudo no sul, na região fronteiriça com os Estados Unidos. O vale do São Lourenço, a zona meridional dos grandes lagos, e a Colúmbia Britânica são as áreas populosas. Ao norte da linha Prince Rupert-Edmonton-Winnipeg-Québec o povoamento mostra-se parco e disperso, ainda que se tenham criado algumas zonas de colonização em regiões de copiosos recursos minerais (vale do rio Churchill e lago do Urso).
Cerca de oitenta por cento da população canadense vive em cidades. Destacam-se as aglomerações urbanas de Toronto, Montreal e Vancouver, importantes centros industriais, comerciais e financeiros, e Ottawa, centro administrativo do país. São cidades modernas e confortáveis, com serviços de primeira ordem, as duas primeiras servidas de metrô.
Sociedade:
A população canadense desfruta de elevado padrão de vida, embora o governo federal e os governos provinciais prestem serviços sociais de caráter geral (saúde e ensino) e mantenham numerosos programas de assistência aos grupos menos favorecidos. Um plano especial do estado assegura pensão mensal a todas as pessoas com mais de 65 anos. A assistência médica é gratuita, praticamente para toda a população.
O ensino no Canadá é leigo e, em sua maior parte, descentralizado. As obrigações do governo, no campo da educação, estão limitadas aos índios e esquimós. Não há um ministério da educação nacional: esta se acha sempre submetida aos órgãos de instrução pública das províncias, que se encarregam de harmonizar as atividades educacionais públicas e privadas, estabelecer os programas necessários e nomear os conselheiros escolares. As comunidades são, em geral, responsáveis pelo financiamento da educação.
O ensino é obrigatório até os 16 anos. A educação primária começa entre os seis e sete anos de idade e se prolonga até os 13 ou 14 anos, conforme a província. Existem em grande número as escolas de formação profissional para a indústria, agricultura e comércio. Não há universidade particular e o ensino superior é ministrado em inglês ou francês, pois há universidades específicas para cada idioma.
O catolicismo é a religião de cerca de cinqüenta por cento da população. As principais igrejas protestantes são a anglicana do Canadá e a Unida do Canadá, esta fruto da fusão, em 1925, de metodistas, congregacionalistas e alguns presbiterianos. Há ainda presbiterianos, batistas, luteranos, ortodoxos gregos, católicos ucranianos, judeus e outros.
Cultura:
A diversidade de origens da população canadense explica a variedade de manifestações culturais.
Arte: Entre os povos indígenas, as tribos da costa oeste destacam-se nos trabalhos de entalhe da madeira: são universalmente conhecidos seus tótemes e máscaras zoomórficas ou de outros motivos míticos. A arte dos índios das pradarias é menos original e apresenta características semelhantes às da encontrada entre os peles-vermelhas dos Estados Unidos: limita-se à pintura das vestimentas e das peles de bisão das tendas em que se abrigam. Por outro lado, os esquimós são os criadores de maior interesse estético, pelas figuras muito estilizadas que fazem com a utilização de dentes de foca e chifres de rena.
A arte dos povos colonizadores foi, a princípio, pouco original, pois se restringia a repetir os estilos das respectivas metrópoles, França e Grã- Bretanha. Durante o século XIX, a arquitetura também imitou os estilos europeus, principalmente britânicos: são exemplos inequívocos a igreja de Nossa Senhora de Montreal, o edifício do Parlamento de Ottawa, o castelo de Frontenac, em Québec etc.
No próprio século XIX, porém, surgiu na pintura um grupo de artistas naturalistas com um estilo muito peculiar, salientando-se entre eles Paul Kane, pintor da vida cotidiana dos índios, e Cornélius Krieghoff, que retratou os fazendeiros canadenses. No começo do século XX desenvolveu-se importante escola paisagista que, mesmo sob influência dos impressionistas europeus, mostrava originalidade e valia-se de cores muito vivas. O representante mais destacado dessa escola foi Tom Thomson.
No século XX, a arquitetura manteve-se identificada, de maneira eclética, com os estilos europeus e americanos (funcionalismo, organicismo e outros), sendo Vancouver o centro criador mais importante do Canadá. Os pintores também seguiram, como os arquitetos, as correntes de vanguarda européias, o que se revela nas obras do surrealista Jean Dallaire, do expressionista abstrato Charles Binning e de Alfred Pellan, que fundou na década de 1930, em Québec, uma escola de pintura não-objetiva. A partir da década de 1960, a arte, tal qual a literatura canadense, esteve mais perto das novas correntes americanas do que da influência européia.
Música: Na música popular, sobressaem os cantos dos primeiros povoadores europeus do país, recolhidos por Ernest Gagnon em suas Chansons populaires du Canada (Canções populares do Canadá), livro que reúne canções em que se mesclam o folclore indígena, as lendas do Canadá selvagem e as melodias levadas da metrópole por exploradores e conquistadores.
A música culta, ainda que introduzida pelos franceses no século XVII e impulsionada, posteriormente, pelos britânicos, só teve uma produção própria no final do século XIX, com as composições de Calixa Lavallée e Alexis Contant. As correntes musicais do século XX, sobretudo o atonalismo, manifestaram-se no trabalho de John Weinzweig, representante da escola de Toronto, assim como nas obras de Serge Garrand e Roger Mallon.
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