domingo, 30 de março de 2008

4.10.3 - Economia do Canadá

A tradicional produção agrícola, florestal e mineral do Canadá passou a ser complementada, na segunda metade do século XX, graças a amplos investimentos estrangeiros, com um vigoroso e diversificado parque industrial. No entanto, a necessidade de controlar o capital estrangeiro, cujos investimentos passavam de oitenta por cento em alguns setores estratégicos (indústrias químicas, siderúrgicas e de transformação), levou o governo, em 1973, a colocar tais investimentos sob controle estatal.

Agricultura, pecuária, extrativismo e pesca: Foi no setor primário que o Canadá obteve a maior parte de seus recursos econômicos até meados do século XX. A importância da produção agrícola no conjunto da economia começou a diminuir a partir de meados da década de 1950. Por causa do clima frio, da extensão das florestas e da qualidade dos solos, apenas cinco por cento do território são agricolamente aproveitáveis. As principais províncias agrícolas são as localizadas nas pradarias: Alberta, Manitoba e Saskatchewan.
Em tais regiões, as propriedades oscilam entre 100 e 160 hectares e são exploradas com as técnicas mais avançadas (em termos de instalações, maquinaria e fertilizantes), em geral pelos próprios donos e suas famílias, pois é muito reduzida a oferta de mão-de-obra para a lavoura.
Os cereais constituem a cultura predominante, especialmente o trigo duro, de excelente qualidade. Parte da colheita é exportada, e Winnipeg é o principal mercado de trigo. Diretamente ligada ao progresso da pecuária, a cultura de aveia para forragem estende-se, sobretudo, pelas pradarias e fazendas de produção integrada ao longo do rio São Lourenço. A cevada e o milho também tiveram crescimento contínuo desde a década de 1940. São cultivados nas áreas ribeirinhas do São Lourenço e ao sul de Ontário.

Os inconvenientes da monocultura cerealista levou o governo do Canadá, no começo da segunda metade do século XX, a subvencionar a diversificação agrícola mediante programas específicos. Batatas, sementes oleaginosas, legumes, beterraba, hortaliças e frutas, em proporção cada vez maior, cobrem as necessidades do consumo interno.
A partir da segunda guerra mundial caíram gradualmente os rebanhos de ovinos e eqüinos e cresceram os suínos e bovinos, sendo estes últimos divididos em dois grupos: uma criação extensiva voltada para a produção de carne (nas terras marginais às pradarias e na meseta de Fraser); e uma outra intensiva, sobretudo em Ontário e sempre perto das grandes cidades, com o objetivo de atender à procura de leite e laticínios.
Inicialmente, a exploração das riquezas florestais (madeira e peles de animais) foi o grande propulsor da penetração européia no Canadá. A caça já não é atividade significativa, nem se usam os antigos métodos: há uma rigorosa legislação conservacionista e a obtenção de peles é da responsabilidade de fazendas que se dedicam à criação de animais específicos, como a raposa, a marta, o castor, a lontra, o rato-almiscareiro e especialmente o vison, que concentra mais da metade do valor do comércio de peles canadense. Montreal é um dos principais mercados do produto em todo o mundo.
A madeira é extraída e exportada desde o princípio da colonização. A partir do século XX, passou-se a fabricar também pasta de papel, de que o Canadá é dos primeiros produtores do mundo, tanto em volume como em qualidade. Há uma severa regulamentação do corte e plantio florestal, e as reservas mais importantes de madeira situam-se na Colúmbia Britânica.

Os 48.000km do litoral canadense dão uma idéia do potencial pesqueiro do país. Na costa atlântica, onde o plâncton é abundante, há cardumes de bacalhau, cavala, sardinha e outros peixes; nas costas meridionais do golfo de São Lourenço, captura-se sobretudo a lagosta, ainda que na Colúmbia Britânica se pesquem o salmão e o arenque, itens mais importantes da exportação de pescado.

Mineração e fontes de energia:

O Canadá é muito rico em recursos minerais e, da segunda guerra mundial em diante, a produção do setor cresceu em progressão geométrica. Muitas de suas jazidas, porém, são de difícil exploração, pois se encontram abaixo de superfícies permanentemente geladas. Desde a década de 1970 os esforços do governo se encaminham no sentido de facilitar a rentabilidade da extração de tais recursos.
Os resultados já atingidos são imensos. O país é um dos maiores produtores mundiais de níquel, zinco, urânio, cobre, molibdênio, prata, ouro, ferro, chumbo, cobre e cobalto. São também expressivas as fontes de energia. A produção e o consumo de carvão apresentam uma peculiaridade: o carvão de Alberta e Saskatchewan é exportado para o Japão, enquanto as necessidades das indústrias de Ontário e Québec são satisfeitas com a importação de carvão dos Estados Unidos que, transportado através dos Grandes Lagos, custa menos que o nacional.
O setor de hidrocarbonetos cresceu notavelmente desde a década de 1940. Mais de oitenta por cento do gás natural e do petróleo se acham na província de Alberta e são transportados para as regiões industriais do sudeste por oleodutos e gasodutos. Embora os recursos hidrelétricos sejam abundantes em todo o Canadá, cerca da metade da energia gerada procede da província de Québec, que possui um dos maiores complexos hidrelétricos do planeta, o de Manocouagen-Outardes.

Indústria:

No começo, o desenvolvimento econômico do Canadá baseou-se na agricultura, na exploração florestal e nas jazidas minerais. No entanto, a importância dessas atividades reduziu-se progressivamente, sobretudo a partir da década de 1940, quando os setores industrial e de serviços ganharam a dianteira, e este último veio a representar, nas últimas décadas do século, mais da metade do produto nacional. Na segunda metade do século XX, o desenvolvimento industrial acelerou-se. Houve um notável crescimento das indústrias siderúrgica, de papel, de alumínio (embora o país tenha de importar a bauxita) e, especialmente, da indústria química (fertilizantes, plásticos, têxteis e borracha sintética).

A produção metalúrgica alimenta uma versátil indústria mecânica, eletromecânica, ferroviária e automobilística. A maior parte da indústria canadense se concentra no sudeste do país, a região mais populosa e de melhores meios de comunicação; as províncias de Ontário e Québec contribuem com cerca de oitenta por cento do valor da produção industrial. O restante das indústrias se encontra na região de Vancouver e nas grandes cidades das pradarias.
Transportes e comunicações. O transporte ferroviário é realizado por duas companhias: a Canadian Pacific Railway, particular, e a Canadian National Railway, estatal. A rede rodoviária, muito densa no quadrante sudeste, requer incansável trabalho de manutenção, devido aos problemas causados pela grande incidência de neve e gelo.
O transporte fluvial foi o principal meio de comunicação e penetração colonial em direção ao interior do Canadá. Desde 1959 está em funcionamento o sistema hidroviário do canal de São Lourenço, complexa rede marítima e fluvial que une o Atlântico a lagos e rios: permite a navegação desde os portos canadenses e americanos, nos grandes lagos, até o oceano e as costas da Terra Nova. Vancouver é o principal porto marítimo do país. Os portos de Toronto e Montreal têm acesso ao Atlântico através do canal de São Lourenço.
No setor de transporte aéreo, destacam-se, pelo movimento, os aeroportos de Ottawa, Montreal, Toronto, Vancouver e Québec. O Canadá mantém variado e intenso comércio com o exterior. Seus principais parceiros são os Estados Unidos, responsáveis por cerca de sententa por cento das transações internacionais, o Japão, o Reino Unido e a Venezuela.

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