sábado, 29 de março de 2008

4.1.2 - População da África do Sul

Imigrantes de várias origens se encontraram no território sul-africano. Aos primeiros holandeses que colonizaram a região do Cabo, sucederam huguenotes franceses e, no século XIX, britânicos e alemães. Nas últimas décadas do século XX, vieram para a África do Sul portugueses e italianos, engrossando a corrente tradicional de imigrantes britânicos.

O governo sul-africano favoreceu ativamente a entrada de imigrantes de raça branca que constituindo uma minoria da população, ainda apresentou tendência à redução em termos relativos, devido a um índice de natalidade inferior ao de outros segmentos populacionais. Mais de metade dos europeus descende dos holandeses, são os chamados bôeres ou africânderes. Seu idioma, desenvolvido a partir do holandês, é o africâner.

A grande maioria dos habitantes pertence a distintos grupos étnicos negros. O mais numeroso é o nguni, em que se incluem os povos xhosa, zulu, suazi e ndebele, das regiões costeiras do Índico; os sotos, do planalto central, e os venda e tsonga, que vivem no noroeste do país. São povos bantos que imigraram para o sul da África procedentes da região dos grandes lagos.


A minoria mestiça constitui uma categoria étnica estabelecida pela lei segregacionista sul-africana. Inclui os descendentes de escravos malaios importados no século XVII, muito mesclados com os grupos indígenas khoi e san, que subdividiam-se em hotentotes e bosquímanos, os primitivos habitantes do extremo sul da África, hoje quase desaparecidos como raça. Apresentando freqüentemente traços étnicos europeus, a maioria desse grupo fala africâner e habita a região do Cabo. Uma importante minoria étnica é asiática (três por cento), composta majoritariamente por descendentes de indianos trazidos em 1860 para os canaviais de Natal.

A população da África do Sul concentra-se em três zonas principais: o triângulo Pretória-Witwatersrand-Vereeniging, a maior concentração humana, industrial e econômica do país, onde, em menos de um por cento da área da república, localizam-se a capital política, Pretória, a capital econômica, Johannesburgo, e outras cidades importantes; a costa oriental, onde estão as aglomerações urbanas de Durban, East London e Port Elizabeth; e a península do Cabo, no extremo sudoeste, onde fica a histórica Cidade do Cabo.

Durante décadas a estrutura das cidades sul-africanas foi condicionada pela segregação racial: os bairros residenciais dos brancos ficavam próximos ao centro e as cidades satélites eram habitadas por negros. Uma delas, Soweto, junto a Johannesburgo, tornou-se a maior aglomeração humana do país.

A população cresceu a uma taxa baixa entre os brancos, média entre os asiáticos e mestiços e alta entre os negros. Configurou-se assim uma tendência para o declínio da percentagem de brancos dentro da população total.

Os brancos assumiram na África do Sul os papéis de funcionários, comerciantes, industriais ou proprietários agrícolas. Os africanos forneceram mão-de-obra às minas, fábricas e fazendas. Muitos continuaram uma vida seminômade nas reservas tribais. Já a população mestiça trabalhava nas lavouras e indústrias manufatureiras na província do Cabo, enquanto a asiática dedicava-se ao comércio intermediário na área metropolitana de Durban. Do ponto de vista social e econômico, mestiços e asiáticos constituíam uma classe intermediária entre brancos e pretos.

A distribuição dos empregos foi definida por várias leis, sobretudo de 1953 e 1963. Durante a vigência do apartheid, alguns setores foram interditados aos bantos, que, mediante requerimento aos escritórios de trabalho, tinham acesso àqueles empregos abertos para eles. Expirado o contrato, deviam obrigatoriamente retornar à sua reserva tribal. Os empregos eram distribuídos pelo Ministério do Trabalho, que fixava o número de negros para cada região. Durante o contrato, o africano residia em bairros separados que, nas áreas de mineração, eram parte do próprio complexo (compound) mineiro. Em princípio, não podia circular na zona européia, onde precisava de justificar sua presença apresentando a licença de trabalho (o passaporte). Mesmo durante a vigência do contrato de trabalho, sua família não podia ausentar-se da reserva.

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