sábado, 29 de março de 2008

4.1.4 - A História da África do Sul

O extremo sul da África foi povoado há milhares de anos por grupos khoi e san, caçadores e coletores, que deixaram sua marca em numerosas pinturas rupestres. No início da era cristã, povos bantos empreenderam uma intensa migração através da África. Conheciam o ferro e tinham organizações sociais complexas. Gradualmente, avançaram para o sul e oeste do continente, expulsando os khoi e san (hotentotes e bosquímanos) para as zonas mais pobres do deserto de Kalahari.

A chegada dos europeus. Esse território, que hoje constitui a África do Sul, foi descoberto por navegadores portugueses que chegaram ao cabo da Boa Esperança em 1487. Pouco depois, dobraram o cabo e seguiram em direção às Índias orientais.

Somente um século depois ingleses e holandeses começaram a usar essa rota no comércio com a Ásia. Em 1647 o holandês Leendert Janssen naufragou no cabo da Boa Esperança e, ao voltar à sua pátria, recomendou que a Companhia das Índias Orientais ali fundasse uma estação de reabastecimento. A expedição colonizadora comandada por Jan van Riebeek aportou a 7 de abril de 1652 no Cabo, onde fundou um forte.

Agricultores holandeses começaram a radicar-se na região, seguidos depois por huguenotes franceses e colonos alemães. No início do século XVIII os europeus já eram dois mil e muitos deles abandonaram a agricultura para criar gado em terras cada vez mais distantes da Cidade do Cabo.

Em 1770 os brancos, em sua expansão para o leste, chocaram-se pela primeira vez com os povos bantos às margens do rio Great Fish, que se converteu em fronteira durante um longo período. A Companhia Holandesa das Índias Orientais mantinha uma autoridade apenas nominal sobre aqueles colonos, muito distanciados da Cidade do Cabo e cuja população crescia rapidamente. Já então estavam desenvolvendo um idioma próprio - o africâner.

Nas guerras napoleônicas, quando -- os Países Baixos se converteram em estado satélite da França, as tropas inglesas, para impedir que a colônia do Cabo caísse em mãos inimigas, tomaram a cidade, que se incorporou ao império britânico em 1814. As autoridades coloniais atraíram cidadãos ingleses para lá e tentaram britanizar os africânderes, ou bôeres. Com a abolição da escravatura, seis mil bôeres do Cabo embarcaram em suas carroças e empreenderam a "longa marcha" para o nordeste com suas famílias e escravos negros. Estabeleceram-se nas regiões do Transvaal, Orange e Natal, fora do alcance dos britânicos, onde fundaram pequenas repúblicas.
Domínio britânico.

Em 1867 descobriu-se ouro na colônia do Cabo e pouco mais tarde na confluência dos rios Vaal e Orange. O interesse britânico pela região aumentou e os conflitos recomeçaram. Em 1880, os bôeres do Transvaal derrotaram as forças britânicas em Majuba Hill. Mas o Reino Unido cercava o país, dominando suas fronteiras através da Companhia Britânica Sul-Africana, dirigida por Cecil Rhodes. Quinhentos homens da companhia invadiram o Transvaal atravessando o rio Limpopo, mas foram derrotados. O Transvaal e o Estado Livre de Orange fizeram uma aliança e declararam guerra ao Reino Unido em outubro de 1899.

A guerra durou três anos. O império britânico, no auge de seu esplendor, sofreu humilhantes derrotas, mas no final quase meio milhão de soldados imperiais conseguiram submeter o território bôer, defendido por 65.000 homens armados. As guerrilhas só foram sufocadas com o internamento de civis bôeres em campos de concentração, onde morreram mais de 25.000 mulheres e crianças. Firmou-se a paz em Pretória a 31 de maio de 1902. A África do Sul tornava-se, finalmente, uma dependência britânica, composta por quatro colônias: Cabo, Natal, Transvaal e Estado Livre de Orange, e três protetorados internos.

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