As primitivas populações trácias formavam parte do império de Alexandre o Grande. No início da era cristã, o território da Bulgária foi integrado ao Império Romano. No século IV godos e hunos ocuparam por algum tempo a região; e dois séculos depois, tribos eslavas ali se estabeleceram definitivamente. Os protobúlgaros, nômades de origem turca, procedentes do norte do Cáucaso, radicaram-se em Moesia, no nordeste da atual Bulgária, em fins do século VII e, unindo-se aos eslavos e aos primitivos habitantes da região, formaram uma confederação que chegou a ser reconhecida pelo imperador bizantino Constantino IV.
O estado búlgaro:
O império búlgaro constituiu-se no ano 681 às expensas do império bizantino. No século IX, sob Bóris I, o país converteu-se ao cristianismo e adotou o alfabeto cirílico. Sobreveio, porém, uma decadência e o império bizantino recuperou a Bulgária em começos do século XI. Em 1185 os búlgaros se revoltaram e sacudiram o domínio bizantino na batalha de Turnovo. O segundo império búlgaro estendia-se inicialmente entre os Balcãs e o Danúbio, mas no século XIII ampliou seus limites até os mares Egeu e Adriático. Um novo período de decadência facilitou a conquista do país pelos turcos, consumada em 1396.
Domínio turco:
O império otomano dominou a Bulgária durante quase cinco séculos. O país, submetido a um sistema feudal cuja nobreza era turca, não passou pelas transformações que se produziram na Europa central e ocidental. A maioria da população continuou fiel ao cristianismo, mas uma forte corrente migratória muçulmana de origem asiática veio estabelecer-se nas planícies, nas cidades e nos enclaves estratégicos. Numerosos búlgaros deixaram o país, refugiando-se primeiro na Romênia e na Hungria e, depois, na Rússia. Freqüentes rebeliões contra os turcos foram esmagadas.
Renascimento da nacionalidade búlgara:
Ao longo do século XVIII, deu-se um processo de revitalização da cultura búlgara, liderado pela igreja ortodoxa local, que encorajava a resistência contra o domínio turco e contra a influência religiosa e cultural da Igreja Ortodoxa Grega. No século XIX, formaram-se sociedades patrióticas secretas e surgiram diversos movimentos de rebelião em prol da independência.
A insurreição de 1876 foi duramente reprimida, provocando a intervenção do império russo, que derrotou os turcos na guerra de 1877-1878. O pan-eslavismo tinha chegado ao auge e a Rússia era considerada por muitos búlgaros como uma "irmã maior".
Com o tratado de paz de San Stefano, de março de 1878, constituiu-se a Grande Bulgária, principado autônomo que incluía a Macedônia. Esse principado desmembrou-se em julho daquele mesmo ano, com o Congresso de Berlim, que fez eco à desconfiança das potências européias. Formou-se então, entre o Danúbio e as montanhas balcânicas, o principado da Bulgária, que era praticamente independente, mas mantinha um vínculo formal com o império otomano.
A parte sul do país serviu de base para a formação da província turca autônoma da Romênia, e a Macedônia ficou sob o domínio direto da Turquia.
Em 1885, a Bulgária e a Romênia reunificaram-se e em 1908 o país declarou-se independente do estado turco, e seu príncipe governante recebeu o título de czar.
As guerras do século XX. Em 1912, a Bulgária formou com a Sérvia, a Grécia e Montenegro a Liga Balcânica, que derrotou a Turquia na primeira guerra dos Balcãs (1912-1913). Houve desentendimentos na partilha dos territórios tomados aos turcos, e deflagrou-se uma nova guerra, dessa vez entre a Bulgária e seus antigos aliados, além da Romênia e da Turquia. Na Paz de Bucareste, de agosto de 1913, a Bulgária teve de ceder parte de seus territórios à Romênia, à Sérvia e à Grécia.
Em 1915, a Bulgária entrou na primeira guerra mundial a favor das potências centrais, o que provocou, no final do conflito, a sublevação de uma parte do exército e a abdicação do czar, Fernando de Saxe-Coburgo, em favor de seu filho Bóris III. Pelo tratado de paz firmado em 27 de novembro de 1919, a Bulgária teve de entregar diversos territórios fronteiriços, além de perder seu acesso ao Mediterrâneo. Teve também de desarmar seus exércitos e contraiu vultosas dívidas de guerra.
No pós-guerra iniciou-se um período de instabilidade política sob o governo do partido majoritário, a União Popular Agrária Búlgara, de cunho reformista.
Em 9 de junho de 1923, os conservadores deram um golpe de estado, em que foi assassinado o líder da União Popular, Alexander Stamboliyski. Em junho de 1931, as urnas conduziram ao poder uma coligação reformista, afastada por um novo golpe de direita em 19 de maio de 1934. O czar Bóris III consolidou seu poder quando a Bulgária aproximou-se da Alemanha nacional socialista. Graças à intervenção de Viena (7 de setembro de 1940), a Romênia cedeu à Bulgária a Dobruja meridional, o chamado quadrilátero de Silistra.
Dando seqüência a sua política germanófila, o governo búlgaro, em março de 1941, aderiu ao Eixo e em 14 de dezembro do mesmo ano declarou guerra ao Reino Unido e aos Estados Unidos, mas não à União Soviética. Embora oficialmente aliada, a Bulgária foi ocupada pelo Exército alemão, o que motivou, a partir da entrada da União Soviética na guerra, a organização de guerrilhas.
O czar Bóris morreu em circunstâncias obscuras em 28 de agosto de 1943, assumindo o governo um conselho de regência, porque o príncipe-herdeiro Simeon só tinha seis anos de idade. No verão de 1944 os governantes búlgaros tentaram negociar a paz em separado com os aliados.
A 5 de setembro daquele ano a União Soviética declarou guerra à Bulgária. Deu-se, então, uma insurreição popular que coincidiu com a entrada das tropas russas no país. Em 10 de setembro, o governo revolucionário da Frente Patriótica, integrado por comunistas, camponeses, social-democratas e outros grupos, declarou guerra à Alemanha. Assim, a Bulgária manteve suas fronteiras intactas, ao término do conflito.
A Bulgária depois de segunda guerra mundial. Após o plebiscito de 8 de setembro de 1946, foi promulgada uma nova constituição que declarou a Bulgária república popular.
Assumiu como chefe de governo o comunista Georgi Dimitrov, que morreu três anos depois. Até 1956, a política oficial foi rigorosamente stalinista. A partir daí, o país acompanhou a União Soviética em um longo processo de liberalização. Deram-se os primeiros passos para a instauração de um sistema democrático na Bulgária em 1989, quando o presidente Todor Jivkov foi expulso do Partido Comunista, que no ano seguinte passou a ser designado Partido Socialista da Bulgária. Em 1991, começou a abertura da economia e entrou em vigor uma nova constituição que incluía medidas democráticas. Nas eleições parlamentares de outubro do mesmo ano, a União das Forças Democráticas conquistou o poder.
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