domingo, 30 de março de 2008

4.9.2 - População da Bulgária

Cerca de 85% da população é búlgara, existindo uma importante minoria turca (8%) e grupos macedônios, judeus, ciganos, armênios, gregos e romenos. A língua oficial é o búlgaro, do grupo eslavo meridional, introduzida pelas populações que se instalaram na região no século VI. Na composição étnica predomina o grupo eslavo, mesclado parcialmente com os elementos trácios preexistentes e com populações trazidas pelo domínio turco. A população se distribui de forma muito irregular, sendo escassa nas zonas montanhosas e densa nas planícies e vales.

Na segunda metade do século XX o crescimento da população era moderado, mas houve êxodo do campo para as cidades.
Plovdiv é a capital da Trácia, e nela se situam numerosas indústrias metalúrgicas, têxteis e de conservas. Varna e Burgas são importantes centros industriais e portuários na costa do mar Negro. Veliko Turnovo, ao norte dos Balcãs, é uma das capitais históricas do país, enquanto Ruse constitui um importante porto fluvial e o centro de comunicações da Bulgária com o norte e o leste da Europa. Sofia, a capital do país, é também uma encruzilhada de comunicações e o maior centro comercial e industrial do país.4

Sociedade:

Apesar de seu lento desenvolvimento econômico, a Bulgária possui um sistema educacional e previdenciário de relativa eficácia. A renda e o nível de consumo dos búlgaros, porém, são baixos em relação aos dos habitantes de outros países industrializados de história econômica semelhante a sua, como a República Tcheca e a Hungria.
Como nos demais países balcânicos, a presença de minorias importantes constitui historicamente um fator de instabilidade social.

Depois da segunda guerra mundial muitos turcos e judeus deixaram à Bulgária. Além disso, muitos búlgaros vivem nos estados limítrofes.
A religião tradicional dos búlgaros é a cristã ortodoxa. A igreja búlgara é autocéfala, com sede patriarcal em Sofia. Existe também uma minoria muçulmana.

Cultura:

Literatura: O búlgaro foi a primeira língua eslava a ter uma literatura escrita nacional. Os discípulos dos missionários Cirilo e Método, sediados em Preslav, capital do primeiro império búlgaro, desenvolveram um intenso trabalho de evangelização. Muitas obras religiosas foram traduzidas para o idioma eslavo ou nele escritas diretamente, graças à criação do alfabeto cirílico, baseado no grego. A conquista turca deu origem a uma corrente de exilados, e estendeu a expressão escrita a outros povos eslavos, como os sérvios e os russos. No século XVIII, deu-se o renascimento da literatura escrita em búlgaro, que começou com a História dos eslavos búlgaros, publicada em 1762 por um monge búlgaro do monte Athos, Paissii Hilendarski.

Em meados do século XIX vieram a lume muitas publicações didáticas e de conteúdo nacionalista, bem como de poesia.
No início do século XX formou-se uma nova geração de escritores atraídos pela cultura ocidental, que buscaram romper os rigorosos modelos nacionalistas das gerações anteriores: Pentcho Slavekhov, Perio Khavorov e Petko Todorov. A partir da primeira guerra mundial, com a diversificação das escolas e a multiplicação dos autores, teve realce à ideologia revolucionária, tanto na poesia como na prosa. O advento do realismo socialista não foi, assim, tão traumático na Bulgária como nos outros países do leste europeu.

Arte: Apesar da existência de vestígios artísticos dos antigos trácios, gregos e romanos, é lícito dizer que a arte búlgara propriamente dita tem raízes no primeiro estado búlgaro, a partir de fins do século VII. As principais construções da época foram igrejas, de estrutura basilical ou cruciforme. A influência bizantina aparece em mosaicos e em diversos elementos decorativos. O mosteiro de Rila, reconstruído no século XIX, representa bem as tendências artísticas que se sucederam no país ao longo de séculos.

Embora tenha seguido o modelo bizantino, a pintura búlgara logrou superar sua rigidez na escola de Turnovo, que floresceu sob o segundo império. O domínio turco interrompeu durante séculos a criatividade nas artes plásticas. No século XIX, a pintura desenvolveu-se sob influência crescente das escolas ocidentais, visto que alguns pintores estudaram em Viena, Paris ou Moscou. Na segunda metade do século XX impôs-se o realismo socialista, mas nem por isso deixou de manifestar-se o gosto tradicional pelas cores vivas e pela rica ornamentação.

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